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OS 10 MANDAMENTOS PARA O ADVOGADO ATENDER MELHOR
SEU CLIENTE
Por Anna Luiza Boranga (*)
Pesquisas
junto a clientes nos indicam que há três tipos
de advogados. Aqueles que eles adoram, os que eles apenas
gostam ou se sentem indiferentes a respeito, e aqueles que
eles odeiam. O mesmo raciocínio, aliás, vale
para consultores em geral.
O perfil
da maioria dos advogados se enquadra no segundo tipo, selecionando
e comparando serviços e preços entre vários
escritórios. Pouca fidelidade junto aos seus advogados.
No entanto,
conhecemos alguns clientes que se enquadram na primeira categoria
(muito poucos), e que não têm apenas um ou dois
clientes que lhes são fidelíssimos, mas sim
inúmeros clientes que os adoram. Seus clientes solicitam
sua opinião para todos os seus negócios, jurídicos
ou não, pedem sua supervisão em trabalhos prestados
por outros advogados, mesmo que isto lhes custe mais caro.
Mas o que faz estes advogados serem tão especiais?
Será que eles têm maior cultura jurídica?
Será que estamos diante de uma característica
especial de sua personalidade?
Felizmente,
a habilidade de desenvolver este tipo de lealdade não
depende de capacidade intelectual ou de personalidade.
Uma pesquisa
efetuada recentemente e conduzida através de clientes
nos mostrou características comuns a estes advogados,
indicando que parecem cuidar de seus clientes da mesma maneira,
seguindo regras básicas de atendimento e prestação
de serviços.
Para
facilitar esta percepção, indicamos a seguir
os métodos mais comumente utilizados por todos.
1.
Todos os clientes querem soluções criativas
e não apenas os indicadores jurídicos e caminhos
legais: preferem os advogados que utilizam a lei para encontrar
soluções para seus problemas, enxergando além
do que está escrito nos códigos.
2.
O advogado deve reconhecer e detectar os aspectos
prioritários e secundários do caso. Alguns advogados
brilhantes estudam o caso do cliente além do necessário,
aumentando com isto o custo dos seus honorários porque
gostam das leis e de estudá-las; enquanto eles estudam,
os clientes estão aguardando os resultados e pagando
as contas; tais clientes preferem os advogados que identificam
as necessidades, decidem quais são importantes e quais
não são, e depois expõem as prioridades
e riscos ao cliente.
3.
Retornar imediatamente ligações telefônicas
e e-mails: muito embora isto seja sempre enfatizado como o
aspecto mais importante na prestação de serviços,
verificamos que muitos advogados não dão atenção
para este fator e continuam não retornando prontamente
os contatos de seus clientes. Ser acessível é
uma grande vantagem.
4.
Antecipar, agir, e não apenas reagir: os clientes,
principalmente de perfil empresarial, esperam de seus advogados
um comportamento preventivo, um aconselhamento que lhes permita
evitar problemas futuros. Sabem reconhecer esta vantagem na
maioria das vezes.
5.
Conhecer o “negócio”: embora seja
impossível transformar-se num "expert" no
negócio de cada cliente, ajuda muito gastar algumas
horas incobráveis para aprender um pouco mais, pois
isto facilita o entendimento e a solução dos
problemas; os clientes percebem este esforço e o valorizam.
6.
Estar disponível sempre que o cliente necessita: muitos
dos advogados "especiais" não apenas fornecem
o telefone celular como também informam a seus clientes
quando vão viajar e como poderão ser encontrados
em caso de necessidade; felizmente poucos são os clientes
que costumam chamar nestas ocasiões.
7.
Administrar prazos como se a vida dependesse deles:
estes advogados estabelecem prazos para suas ações
de forma realista e não baseados no que o cliente gostaria
de ouvir; mantém o cliente informado sobre riscos e
ações; quando percebem que determinado prazo
não poder ser cumprido, alertam o cliente indicando
o que fazer.
8.
Saber quando dizer não: alguns advogados que
percebem a profissão como um mercado em permanente
expansão e mesmo quando verificam que seu cliente pode
estar jogando dinheiro pela janela em honorários, continuam
a trabalhar; os advogados que são apreciados são
aqueles que não têm medo de dizer a seus clientes
que não deveriam estar usando um advogado no caso,
mesmo que isto represente abrir mão de altos honorários.
9.
Guardar registros sobre todos os assuntos do cliente
em seus arquivos, ainda que antigos, mantendo a “memória”
das decisões tomadas. Nada mais desagradável
do que ter que lembrar o advogado dos assuntos que lhe dizem
respeito.
10.
Aprender a ouvir: muitos advogados pensam que, por
terem sido contratados, os clientes querem ouvi-los falar;
na verdade os advogados indicados como adorados são
descritos por sua habilidade em "ouvir e compreender
o problema dos clientes". Tais advogados não apenas
ouvem, como também repetem com suas próprias
palavras o que foi dito pelo cliente a fim de confirmar o
entendimento correto de seus problemas.
(*)
Anna Luiza Boranga é sócia da ALB Consultoria,
Coordenadora do Curso de Gestão de Serviços
Jurídicos da EDESP-FGV, Presidente da FENALAW –
Feira Nacional de Administração para Advogados
e do SENALAW – Seminário Nacional para Gestão
de Serviços Jurídicos.
www.albconsultoria.com.br.
Contato: annaluiza@albconsultoria.com.br.