(*)
Nota da Redação: Publicação autorizada
pelo autor. Os dados são referentes ao período
em que o projeto recebeu a premiação nacional
da Fundação Getúlio Vargas e Fundação
Ford.
CIDADANIA
E DIREITOS HUMANOS
NÚCLEOS
DE ASSISTÊNCIA JURÍDICA IMPLANTADOS PELA PREFEITURA
ENCURTAM A DISTÂNCIA ENTRE A JUSTIÇA E A POPULAÇÃO
DA PERIFERIA DO RECIFE
Por
Bruno Ariosto Luna de Holanda (*)
Dirigido pelo Secretário de Assuntos Jurídicos,
o Justiça Cidadã é desenvolvido em parceria
com a organização não-governamental Gabinete
de Assessoria Jurídica a Organizações
Populares (Gajop), que atua na promoção e defesa
dos Direitos Humanos. A iniciativa envolve 28 profissionais,
incluindo duas equipes técnicas: a psicossocial, formada
por uma psicóloga e dois assistentes sociais, e a jurídica,
composta por 12 advogados e 10 estagiários de Direito.
O
Gajop é responsável pela contratação
e capacitação dos profissionais, pelo monitoramento
das atividades e pelo gerenciamento dos recursos financeiros
destinados à remuneração dos funcionários
que trabalham nos núcleos. A Secretaria de Assuntos
Jurídicos avaliou que a contratação por
meio de concurso público não garantiria a seleção
de funcionários com o perfil desejado. Havia a preocupação
de não reproduzir o perfil dos antigos funcionários
da sede, geralmente descomprometidos com o bom atendimento
aos cidadãos.
Por
meio de encontros e debates, os antigos e os novos funcionários
da assistência jurídica discutiram temas relacionados
ao trabalho dos advogados com a comunidade, bem como direitos
humanos, violência doméstica e violência
contra a mulher. Passaram ainda por um curso de aperfeiçoamento
oferecido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A
divulgação do Projeto se deu por intermédio
das reuniões do Orçamento Participativo e das
organizações comunitárias, e por bicicletas
equipadas com megafone, as chamadas “bicicletas de som”.
No
dia seguinte à inauguração – marcada
por um grande evento festivo, que contou com a presença
de representantes de entidades locais – os núcleos
já ficaram cheios, pois a população aguardava
seu funcionamento desde a reforma dos prédios.
O
trabalho se desenvolve a partir de dois tipos de atividade:
assistência jurídica e educação
sobre direitos. A assistência jurídica é
aberta a todos os cidadãos que solicitam orientação
e encaminhamento.
Nos
casos em que há necessidade de intervenção
judicial, o atendimento se limita à população
de baixa renda. Ninguém enfrenta filas porque, para
ser atendida, a pessoa precisa fazer um agendamento, à
exceção dos casos considerados prioritários,
como os de violência contra a mulher.
Atualmente,
a espera pelo atendimento pode chegar a dois meses.
Diante
da impossibilidade de abarcar todas as matérias, a
atuação dos núcleos limita-se ao âmbito
do Direito Penal, Previdenciário, Civil e do direito
da criança e do adolescente.
No
âmbito do Direito Penal, são atendidas as vítimas
de crimes de menor potencial ofensivo e os casos de violação
de Direitos Humanos. No âmbito do Direito Previdenciário,
os núcleos atendem aos pedidos de alvará para
liberação de benefícios.
Em
relação ao Direito Civil, não são
atendidos casos que envolvem disputas de posse e direito do
consumidor. No que se refere ao direito da criança
e do adolescente, excetuam-se os atos infracionais. Essa limitação
objetiva também evitar a sobreposição
de funções já exercidas por outros órgãos
(como o Procon, no caso de direito do consumidor, e os sindicatos,
no caso de direito trabalhista). A sede permanece prestando
assistência jurídica em todas as matérias.
Cerca
de 70% dos atendimentos realizados pelos núcleos relacionam-se
a temas de Direito de Família (especialidade do Direito
Civil), como pedidos de pensão alimentícia,
divórcio, investigação de paternidade,
guarda e tutela. O público atendido é formado
principalmente por mulheres de baixa renda.
Integração
com outras secretarias
O Justiça Cidadã privilegia a conciliação
extrajudicial como forma de resolução rápida
dos conflitos, o que contribui para descongestionar o Judiciário.
Resolvem-se desse modo cerca de 60% ciclo de premiação
2003.
Com
a descentralização, o número de atendimentos
no serviço de assistência jurídica dobrou,
chegando a quase 6 mil em 2002 dos casos de família
e os acordos extrajudiciais para pagamento de pensão
alimentícia costumam ser cumpridos.
O
Gajop recebe um relatório mensal dos atendimentos,
tendo divulgado seu telefone e seu e-mail para acolher sugestões
e reclamações da população. A
entidade funciona, assim, como uma espécie de ouvidoria
não formalizada.
Além
disso, durante o curso de aperfeiçoamento técnico
oferecido pela OAB, há a discussão de casos
e a avaliação conjunta de documentos elaborados
pelos advogados.
Em
sua segunda frente de atuação, o Justiça
Cidadã realiza atividades de Educação
em Direitos e articula as comunidades, os núcleos de
assistência jurídica e outros serviços
municipais. A equipe contatou as diversas secretarias municipais
e mapeou os seus serviços, com a proposta de construir
uma rede de proteção de direitos.
Esse
trabalho é realizado pela equipe psicossocial, que
também apóia os advogados, acompanhando o atendimento
dos casos mais complexos e estudando os casos emblemáticos.
As
demais secretarias municipais participam ainda, juntamente
com as organizações comunitárias, das
atividades de Educação em Direitos. Em tais
atividades, aproveitam-se estruturas já existentes,
como as reuniões do Orçamento Participativo
e as oficinas do programa Agente Jovem (da Secretaria da Assistência
Social).
No
caso deste último, temas de Direito Constitucional,
de Família, da criança e do adolescente são
incluídos em oficinas de teatro, cordel, desenho ou
redação, buscando transformar os jovens em multiplicadores
do conhecimento nas suas comunidades.
Com
a descentralização, o número de atendimentos
no serviço de assistência jurídica dobrou,
chegando a quase 6 mil em 2002. O serviço ficou mais
acessível à população; que agora
tem maior comodidade para buscar os seus direitos. Por meio
do trabalho de educação e da articulação
com outros órgãos municipais e entidades da
sociedade civil, o Projeto ultrapassa o atendimento de demandas
individuais e procura abordar preventivamente os problemas,
além de diminuir a distância entre a população
e a Justiça.
Justiça Cidadã: Descentralizando a Assistência
Judiciária Municipal
Área
de implantação: Recife – PE
Instituição: Secretaria Municipal de Assuntos
Jurídicos
Contato: Bruno Ariosto Luna de Holanda
Cais do Apolo, S/N – 3o. Andar
Recife, PE – CEP: 50000-000
Telefone: (81) 3232-8138
e-mail: brunohol@recife.pe.gov.br