NA
BOCA DO POVO E NAS MÃOS DA IMPRENSA
Da
Redação
“No momento em que se discute se o salário
mínimo aumentará R$ 17,00 ou R$ 25,00, o Judiciário
brasileiro, o mais bem remunerado do Planeta, pleiteia descarada,
abusiva e acintosamente um novo e fabuloso aumento. O legado
iluminista de MONTESQUIEU, na sua mais bela obra "O Espírito
das Leis-1748", modificou para sempre a História
dos povos e das Nações modernas e socialmente
justas, prevendo a separação dos Poderes, como
forma mais adequada de Governo. No entanto, esses conceitos,
que para outras Nações privilegiadas foram uma
bênção e uma maneira eficaz e correta
de governar os povos, para o nosso infeliz Brasil, são
uma praga descontrolada. Ninguém controla nada, ninguém
processa ninguém, e todos se locupletam” –
PARÁGRAFO retirado da CARTA ABERTA À EXMA. SENHORA
JUÍZA PRESIDENTE DO STF.
Na semana passada, a caixa postal do Sinajur esteve movimentada
com comentários sobre os supersalários e até
mesmo sobre a aprovação da Súmula Vinculante.
A maioria dos nossos leitores reclamava que, num país
onde boa parte da população recebe um salário
mínimo (às vezes nem isso), ver um magistrado
receber mais de 20 mil reais, acrescidos de jetons e regalias,
chega a ser um desaforo; especialmente porque a produtividade
no Poder Judiciário não é das maiores
- ainda. Num universo de 44 mensagens, apenas dois leitores
defenderam o aumento pleiteado pelos magistrados.
Por outro lado, alguém parou para pensar que um executivo
(o dito “mosca branca”: de alto nível e
disputado por várias empresas e RHs) chega a ganhar
até doze vezes mais do que um Juiz? São, de
fato, duas relações bem diferentes. Os magistrados
são pagos pelo Estado, ou seja: de certa forma, com
o dinheiro dos seus impostos. Já um executivo é
remunerado por uma empresa privada. Mas em se tratando de
volume de trabalho, será mesmo que os magistrados,
quando comparados com executivos, são tão bem
pagos assim?
PROCESSOS
EM TRAMITAÇÃO NO JUDICIÁRIO: 35
MILHÕES
PROCESSOS ENCERRADOS A CADA ANO: CERCA
DE 20 MILHÕES
MÉDIA DE DURAÇÃO DE UM PROCESSO NO PAÍS:
8 ANOS
Fonte:
Estadão – 03/12/2006- p. A4
Relações com a imprensa ou manipulação
da imprensa?
Nossos
analistas de comunicação de massa juntaram os
vários pedaços do quebra-cabeças e chamam
a atenção para o fato de que a grande mídia
- talvez sem perceber e na boa intenção de informar
a sociedade – foi, de certa forma, usada como uma espécie
de palanque para requisições de salários
do Judiciário.
Mas
sejamos justos, do ponto de vista da informação
objetiva, excelentes matérias podem ser encontradas
principalmente na Agência Estado. Artigos e análises
mais profundas da “onda”, contudo, estão
em falta no mercado da informação.
Juntando
as peças
Por
fim, se você se interessa pelo tema, sugerimos ainda
a leitura do impresso, pois os textos da internet são
formatados para leitura rápida e não trazem
informações tão profundas quanto as da
imprensa escrita.
Em
especial, indicamos O Estado de São Paulo – 3
de dezembro de 2006 – e duas matérias da Folha
de S. Paulo – sobre a Defensoria Pública –
Caderno Brasil, A24 e A25 – 3 de dezembro de 2006.
Leia
ainda outras matérias que foram pinçadas e organizadas
- em meio ao mar de informações da internet
- e tire suas próprias conclusões. Boa leitura!
Justiça
tem 35 milhões de ações, que levam 8
anos para chegar ao fim
Judiciário
custa mais que Segurança em sete Estados
Gasto
com tribunais bate o de Segurança em 7 Estados
Promotores
temem que cortes atinjam Ministério Público
Conselho
eleva teto do Ministério Público nos Estados
para R$ 24.500
E a discussão continua...