Edição
Nº 14 | Data : 20/12/2006
Página
inicial
BEM-VINDO(A)
à Seção de Entrevista
Formado em Direito pela UFRJ; e com
especializações em Administração
Pública, FGV-RJ; Direito Especializado, PUC-RJ e Direito
Comercial pela Universidade Ottawa, Canadá, o professor,
advogado e deputado federal Paes Landim (PTB-PI)
é o entrevista desta semana. Confira a seguir os questionamentos
do Sinajur quanto aos problemas do Judiciário e as respostas
do deputado e Relator da Comissão Especial da
Reforma do Judiciário da Câmara dos Deputados.
OJ
- A Constituição estabelece quem aprova (Senado)
e quem nomeia após a aprovação (Presidente
da República), mas não estabelece quem indica
para aprovação, ou seja, há uma lacuna
e as pessoas não podem livremente se inscrever para concorrer
ao cargo de Ministro do STF. Isso não poderia ser resolvido
pela Reforma do Judiciário, para dar mais transparência
e democracia? (art. 104, parágrafo único do STF).
Paes
Landim - Creio que você está se referindo
ao art. 101, parágrafo único. O Supremo Tribunal
Federal teve como origem a Suprema Corte dos Estados Unidos.
Não conheço modelo histórico melhor.
Nesse
modelo compete ao Presidente da República, o primeiro
magistrado da Nação, submeter ao Senado o nome
de um jurista de elevado saber jurídico e de conduta
moral irreprochável, para as excelsas funções
de Ministro do STF.
Cabe
ao Senado brasileiro transformar as sessões de discussão
do nome enviado pelo Presidente da República, em sessão
de investigação da biografia e da conduta do
mesmo, e não em mera sessão de louvação
ao nome proposto, desviando o sentido histórico e o
espírito constitucional da escolha dos Ministros da
nossa mais alta Corte.
OJ
- Por qual motivo não se regulamenta o art. 109, §3º
e o 112, os quais permitem que onde não houver sede
de federal ou trabalhista, a ação seja proposta
no foro estadual? Há interesse em reserva de mercado?
Paes
Landim -
Nesse caso, cada lei específica tem autorizado que
seja proposta ação no foro estadual quando não
houver juiz federal.
É o caso da matéria previdenciária e
da lei de combate ao tóxico. Quanto à matéria
trabalhista, quando não houver Justiça do Trabalho
em determinada região, o juiz estadual é competente
para receber a ação. Devemos lutar é
para aumentar o número de juízes federais no
Brasil.
OJ
- A reforma do Judiciário tem tido participação
popular ou apenas as categorias profissionais do Direito estão
opinando?
Paes
Landim -
Infelizmente, não. Somente as categorias profissionais
do Direito opinaram.
OJ
- Não seria o caso de estimular os Municípios
a criarem órgãos de mediação e
conciliação, além de prestarem o serviço
jurídico de atendimento aos carentes, pois isso aumentaria
a opção de acesso nos mais de cinco mil Municípios
brasileiros?
Paes
Landim -
Excelente idéia. Pena que o meu parecer já foi
entregue. Senão incorporaria a sugestão ao mesmo.
Seria bom que o Deputado Biscaia a defendesse na votação
da Comissão Especial porque, mercê da autoridade
intelectual do mesmo, eu submeteria o assunto aos colegas
da aludida Comissão.
OJ
- Na prática observa-se que falta verba para os meios
extrajudiciais de solução e prevenção
de conflitos. Como se pode resolver isso, já que a
verba está indo direto para as carreiras jurídicas
?
Paes
Landim -
Infelizmente, sim, os defensores da cultura do litígio
são muito fortes em nossa sociedade.
OJ
- A arbitragem social é uma possibilidade de as próprias
comunidades resolverem os seus problemas através de
lideranças locais, mas não há previsão
na Constituição Federal de forma expressa. Seria
viável destacar esse via processual?
Paes
Landim -
Concordo. Veja o papel que o Juiz de Paz já desempenhou
neste País.
OJ
- A gratuidade judicial tem sido deferida sem controle efetivo
e custa em torno de quatro bilhões de reais por ano.
Não seria melhor investir em meios conciliatórios
com previsão expressa na Constituição,
e não apenas para a esfera trabalhista?
Paes
Landim -
Estou de pleno acordo. O que me espanta é que sugestões
desse nível não me tenham sido propostas. Lamento
não ter conversado com o Sinajur antes de elaborar
o substitutivo.
OJ
- Na
Reforma do Judiciário não se prevê a possibilidade
de o cidadão dirigir-se diretamente ao Judiciário,
o que é assegurado em todos os Tratados Internacionais
assinados pelo Brasil. Negar o “Jus postulandi”
não é uma violação dos Direitos
Humanos?
Paes
Landim -
Concordo plenamente.
OJ
- Não
seria viável prever expressamente na Constituição
que os órgãos jurídicos devem estimular
a participação popular nos mecanismos administrativos?
Paes
Landim -
De
acordo, para facilitar a transparência de suas decisões
administrativas, sem interferência, claro, na sua atividade
jurisdicional.
OJ
- O
SINAJUR propõe um modelo de atendimento jurídico
aos carentes, similar ao SUS, de forma integrada, envolvendo
o Estado, terceiro setor e a iniciativa privada, mas com participação
dos prestadores do serviço, Estado e usuários
em conselhos para definir políticas de atendimento.
Assim, haveria atendimento em várias esferas, inclusive
municipal, com avaliação de qualidade e possibilidade
de se investir em meios extrajudiciais. O que o Deputado acha
do modelo?
Paes
Landim -
Fantástica!
OJ
- Uma
possibilidade também é a criação
dos cargos de agentes comunitários jurídico-sociais
ou de cidadania, nível 2º grau (médio)
que visitam as residências com formulários e
fazem levantamentos para uma equipe multidisciplinar composta
de psicólogo, advogado e assistente social, a fim de
que os mesmos possam fazer planejamentos para inclusão
social e jurídica daquelas famílias, inclusive
com mediação e informação sobre
direitos e deveres. É possível a Reforma de
o Judiciário abordar essa via multidisciplinar?
Paes
Landim -
Magnífica idéia! O Juiz de Paz, previsto constitucionalmente,
poderia coordenar esse trabalho, desde que exercesse suas
funções na plenitude da experiência passada.
FIM!
(*) Copyright: Sinajur.org
Edição: Claudia Zardo
|
| |
|
| conheça
o
SINAJUR
Sistema
Nacional de Assistência Jurídica
|
|
O
SINAJUR (Sistema
Nacional de Assistência Jurídica) é uma
proposta de modelo democrático baseado na livre escolha
pelo cidadão carente de qual advogado, público
ou privado, o irá representar judicialmente ou emitir
consulta jurídica, ficando assegurado o direito de
escolha e o princípio da confiança no causídico;
de atendimento jurídico baseado na livre escolha do
cidadão de quem o irá representar.
Carente deve ter direito de escolher seu advogado
de confiança, seja público ou privado, sob pena
de grave violação dos direitos humanos e limitação
do próprio direito defesa e de liberdade.
É também um projeto social sem fins
lucrativos.
Visa ampliar a oportunidade de trabalho para recém-formados
e do atendimento jurídico - envolvendo iniciativas
privadas, estatais e sociais englobando Municípios,
Cooperativas de Serviços Jurídicos, Sindicatos,
ONGs, OSCIPs, escritórios-modelo de faculdades, Defensorias,
Advocacia Pro Bono convênios com a OAB, Planos de Atendimento
Jurídico com pagamento mensal, Tribunais Arbitrais
e Juizados de Conciliação – e a divulgação
de informação jurídica através
de meios de comunicação para atingir coletivamente
a população. |
|
|
Home
|
O
SINAJUR |
Contato
| |
| |
...................................... |
| |
| Enquete
|
AVISO:
A Equipe Sinajur estará em recesso entre os dias
22 de dezembro de 2006 e 06 de janeiro de 2007. Nesta
edição, portanto, não teremos enquete.
O mesmo aviso serve para as salas de debates na intranet,
as quais terão suas atividades encerradas no
dia 20 de dezembro, às 20h, e serão reabertas
a partir do dia 06 de janeiro. |
|
| |
Obs.:
Este informativo não é um spam e não
tem a intenção de invadir a sua caixa postal
com conteúdo indesejável. Por gentileza, caso
você não queira ler ou participar das atividades
propostas neste Informativo, cancele o recebimento. Para tanto,
basta enviar um e-mail para cancelar@sinajur.org.
|
| |
...................................... |
| |
EDITORIAL |
| |
Este
informativo virtual é uma realização
do Sistema Nacional de Assistência Jurídica -
SINAJUR. Por meio
de conteúdo interativo, este veículo de comunicação
se propõe a informar, analisar novas propostas, incentivar
a criação de idéias – sérias,
inovadoras e eficientes – e a debater temas polêmicos
dos sistemas Jurídico, Político e Social.
O Informativo On-Line SINAJUR pretende, também,
agregar mais conhecimento e fomentar a interatividade entre
o veículo e o cidadão-leitor.
Caso queira participar, basta selecionar o tema de seu interesse,
clicar no link proposto e interagir, com opiniões,
comentários, argumentos contrários etc. Em suma,
este é um veículo em que o leitor(a), além
de ter acesso à informação democrática,
ainda tem voz ativa nos debates propostos.
Seja bem-vindo (a)!
|
| |
...................................... |
| |
| Resultado
Enquete
Edição 13 |
| |
1) Você acha razoável o valor de R$ 20,00 mensais
para consultas aos advogados?
Sim,
107 votos
Não, 44 votos
Total de votos - 151votos
|
...................................... |
|
| APOIADOS
E APOIADORES |
Justiça
Restaurativa |
|
|
|
| |
...................................... |
| |
Glossários |
| |
Entenda
direito como funciona
o Direito |
|
| |
...................................... |
| |
| Acervo
de Artigos |
| |
|
| |
Acervo
de Entrevistas |
| |
Desembargador
do Tribunal de Justiça de São Paulo, Dr. José
Renato Nalini.
livro “A Rebelião da Toga”,comunicações
e relações entre a Imprensa e o Poder Judiciário,
questões polêmicas do sistema jurídico.
Procurador
da República/MG, ex-Procurador Regional Eleitoral/MG,
Mestre e Doutor em Direito, Dr. Eugênio Pacelli de Oliveira
Justiça Eleitoral , Código Eleitoral ,TRE, TSE,
Juizado Especial. |
|