Edição
Nº 13 | Data : 13/12/2006
Durante
o preparo desta edição, na Redação
buscávamos indicações entre os juristas
de um entrevistado que tivesse reputação ilibada,
inteligência sagaz e profundos conhecimentos sobre o
sistema eleitoral no Brasil. O nome de Eugênio
Pacelli de Oliveira - Procurador da República/MG,
ex-Procurador Regional Eleitoral/MG, Mestre e Doutor em Direito
e autor dos livros Curso de Processo Penal, Processo e Hermenêutica
na Tutela Penal dos Direitos Fundamentais e Regimes Constitucionais
da Liberdade Provisória - foi o que recebeu mais indicações.
Ainda que bastante ocupado com seus afazeres, o jurista atendeu
ao convite da Redação Sinajur e respondeu a
oito perguntas, entre outras, sobre questões
contraditórias da Justiça Eleitoral Nacional.
Confira aqui >>
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Sinajur Artigos - Em Debate |
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ORTOTANÁSIA
sob o prisma do Direito e da Filosofia
A
ETERNA BUSCA DA IMORTALIDADE HUMANA
A terminalidade da vida e a autonomia: viver a própria
vida e morrer a própria morte
“Se qualquer um pode tirar a vida de um homem,
se ninguém pode lhe tirar a morte porque todos os caminhos
nos levam a ela, há uma pergunta a ser respondida:
– Há um direito fundamental à imortalidade?
Se a resposta for sim, devemos criar todos os mecanismos possíveis
e impossíveis contra a morte. E estamos criando. Se
a resposta for não, devemos compreender a morte como
a única certeza da consciência humana. Neste
caso, viver e morrer serão pedaços de uma mesma
vida, de um mesmo ser, de uma mesma pessoa. Haveremos, pois,
de respeitar o seu último direito: o direito à
dignidade, à autonomia, à autodeterminação".
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>>
Por Diaulas Costa Ribeiro - Doutor em Direito,
Pós-Doutor em Direito e Medicina, Professor da Faculdade
de Direito da Uniplac-DF, da Faculdade de Medicina da Universidade
Católica de Brasília, do Programa Erasmus Mundus
da União Européia, Promotor de Justiça
Titular da Pró-Vida - Promotoria de Justiça
Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços
de Saúde, do Ministério Público do Distrito
Federal e Territórios, Brasília.
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DO
DIREITO DE MORRER
“Não sei o que aconteceu com os advogados,
mas alguns deles estão se saindo mais reacionários
do que o papa. Embora tenha tentado, não consigo entender
as razões que levaram a seccional paulista da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB-SP) a condenar a nova resolução
do Conselho Federal de Medicina (CFM) que autoriza a ortotanásia,
isto é, a suspensão de tratamentos e procedimentos
que prolonguem a vida de pacientes terminais desde que autorizada
pelo próprio moribundo ou por familiares” .
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Por Hélio Schwartsman – Filósofo
formado pela Universidade de São Paulo; colunista e
editorialista do Jornal Folha de S. Paulo.
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‘‘Para
os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura,
mas é a lei.
Para os ricos, é dura lex, sed latex. A lei é
dura, mas estica.”
Fernando Sabino
Na última semana o Judiciário chamou a atenção
da sociedade com alguns temas, literalmente, “exibidos”
na grande mídia – diga-se de passagem, de forma
acrítica. Em destaque nos noticiários estiveram
a Cláusula de Barreira, o Dia Nacional da Conciliação,
análises da postura adotada pelo Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) com relação ao teto
salarial e às férias coletivas, bem como o assalto
a ministros do STF no Rio de Janeiro e a morte dos “supostos”
assaltantes, horas depois, em uma favela.
Vários
dos nossos leitores reclamaram em mensagens internas: “Com
uma cobertura que primou pelo fino toque de marketing travestido
de jornalismo, a mídia destacou os resultados obtidos
no Dia Nacional da Conciliação em rede nacional;
diversas críticas à efetividade do CNJ foram
trabalhadas de forma tendenciosa e nada plural, pois nem a
mídia impressa nem a eletrônica ouviu o lado
do CNJ; acobertaram nas matérias , ainda, a guerra
de egos que é travada nos bastidores do STF e do CNJ.
Já o assalto a ministros do STF no Rio de Janeiro foi
tratado isoladamente; sem a devida contextualização
dos fatos que estavam relacionados à morte de dois
dos supostos assaltantes”.
Nos debates internos ainda, o olhar clínico e crítico
dos leitores voltou-se para Dia Nacional da Conciliação,
em primeiro lugar. Leia aqui
uma das mensagens destacadas nos debates, a qual
analisa a Conciliação por outro ângulo.
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| Sinajur
Cidadania
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Dicas
“legais” para o cidadão comum |
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Aprenda
aqui, nas dicas do Sinajur o que é receptação,
Direito à segurança Pública e ao planejamento
familiar. Confira também, cidadão, as dicas
enviadas pelo escritório de advocacia Ladir Franco
- Advogados Associados - em que especialistas em Direito do
Consumidor ensinam: Opções de consumo e troca
de mercadorias; Reclamações de serviços
prestados por estacionamentos; Negativação indevida;Diferenças
existentes entre o que é legal, lícito, legítimo
e permitido.
No
mais, o Sinajur aproveita para alertar os cidadãos
sobre as carteiras de motorista do Paraguai: Cuidado ao adquirir
carteira de motorista do Paraguai, pois o Mercosul autoriza
o uso desse documento apenas para cidadãos paraguaios
ou pessoas efetivamente residentes no Paraguai. O serviço
de trânsito brasileiro está questionando o uso
desse documento.
Aprenda Mais >>
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Correios
Já
observou que os Correios negam o serviço de carta quando
esta pesa acima de 500g e obrigam o usuário a adquirir
um serviço de SEDEX? Isso é violação
ao direito do consumidor. Eles alegam que é um brinde,
mas você paga um absurdo a mais. Também lhe oferecem
o serviço de encomenda, em que o destinatário
tem que buscar a mesma na agência.
Em suma, os Correios querem ter monopólio de correspondência,
mas não querem prestar o serviço quando a carta
pesa mais de 500 gramas. Tecnicamente, serviço de correspondência
é diferente de encomenda ou encomenda expressa, tanto
é que, nesse último caso, os Correios nem chegam
a alegar monopólio. Comente aqui
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Escola
pública e discriminação
Escolas
públicas e com aval do Conselho Nacional de Educação
promovem o maior ato de discriminação já
observado em países democráticos. É o
chamado "zoneamento", onde morador da periferia
tem que estudar em escola da periferia e morador de bairro
rico estuda em escolas públicas de seu bairro.
O argumento que defende tal ato é hilário, pois
se entende que os exames de seleção provocam
sofrimento aos alunos; logo, é melhor que pobres continuem
junto com pobres e ricos, com ricos. Outra medida muito absurda
é a vaga conseguida de acordo com a ordem de chegada,
o que faz com que os pais fiquem dias nas filas a fim de atingir
seu objetivo.
É o fim da meritocracia intelectual. Também
deveriam acabar com os vestibulares. Ou seja, quem chegar
à fila primeiro teria vaga para Medicina na USP, por
exemplo. Comente aqui
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Proteção
da vítima de crime
Estado começa a descobrir que as vítimas de
crimes violentos devem ser tratadas pelo Sistema de Saúde.
Por enquanto, a campanha restringe-se a vítimas de
crimes sexuais, mas a expectativa é de que se amplie
o Programa do SUS. Comente aqui
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Curiosidades
Cada
carreira costuma ter seu ápice durando em torno de
20 anos. Podemos citar que a década de 30 foi a Era
do Magistério; em 1950, a Era do Médico; em
1970, a Era do Engenheiro e, em 1990, iniciou-se a do Direito.
Em geral, as profissões não acabam, mas começam
a perder mercado, pois tudo que é bom começa
a despertar a atenção dos demais e faz aumentar
a concorrência - e a tendência é a queda
do volume de atividades para a carreira, principalmente se
o profissional não se adapta às novidades que
vão surgindo
Parafraseando John Welch, salvador da GE e Papa atual em Administração:“Quando
as mudanças externas (sociais ou do mercado) são
maiores que as internas (empresas ou carreiras), é
o indício do fim” . Comente aqui
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Dados
Menos
de 5% dos processos têm recurso para os Tribunais e,
dos que recorrem, menos de 20% têm mudanças nas
decisões, sendo que destas 15% são matéria
de ordem processual e apenas 5% são de ordem material.
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Conselhos
Nacionais de Justiça e Ministério Público
Estes
órgãos começam a ser questionados pelo
excesso de corporativismo e de bacharéis em Direito
presentes nos mesmos (em todos os cargos). Embora a Constituição
não exija bacharéis em Direito em todas as vagas,
acabou-se por atender a interesses setoriais. Mas como os
citados órgãos são administrativos, não
faz sentido que sejam restritos a bacharéis em Direito.
Questões como mudança da forma de atuação
e melhoria nos serviços normalmente são arquivadas
nos Conselhos. O objetivo é seguir a rotina, repetindo
atitudes e nada mudar. Sugere-se que se acompanhe o que é
arquivado nos Conselhos e não que se resolve.
A sociedade veria o desinteresse dos mesmos em melhorar efetivamente
sua própria estrutura. Em geral, ficam em pequenos
casos de promoção, punição ou
discutindo nepotismo, prazo para concurso ou temas internos.
Mas, com relação a uma possível mudança,
efetivamente alegam que depende de lei. Porém, quando
é do seu interesse, legislam e até revogam a
Constituição, como foi no caso das férias
coletivas. Comente aqui
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Teto
salarial
O teto salarial foi um tiro no pé, pois antes poucas
pessoas tinham altos salários no serviço público.
Mas agora, com o teto salarial implantado, todos querem ganhar
no teto ou próximo a ele. Isso sem computar os que
querem ganhar acima do teto. Em suma, sobram vencimentos e
falta produtividade. Estudos feitos por um economista gaúcho,
o Dr. Júlio Brunet, comprovam que a Ministra do STF
recebe 79% a mais que seus colegas da Corte norte-americana.
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Reflexão
Alegam
que vão resolver o problema dos pobres criando uma
carreira de bacharéis em Direito para atendê-los.
Mas a Previdência Social, a área de micro-crédito,
a de habitação, a de moradia e outras já
atendem aos pobres com programas específicos e não
criando carreiras de servidores públicos. Comente aqui
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Acesso aos serviços públicos
Uma das maneiras mais eficientes de se facilitar o acesso
aos direitos é a implantação de Procons
Municipais e melhoria nos serviços dos cartórios
extrajudiciais, com gratuidade em alguns casos. Mas nesse
caso, poucas pessoas se interessam em debater, pois não
há monopólio de atendimento pelo bacharel em
Direito. Comente aqui
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Conciliação
Inicia-se
uma sutil disputa por esse mercado em ascensão, pois
não há uma definição sobre os
seus limites e nem monopólio de carreiras. Setores
jurídicos tentam concentrar essa atividade na esfera
judicial e vinculada a bacharéis em Direito, enquanto
outros segmentos tentam que seja extrajudicial, com maior
participação popular.
Outras carreiras também disputam esse mercado como
Psicologia, Assistência Social e outras. A tendência
é prevalecer a força da pressão do lobby
e não algum estudo técnico. Profissionalizar
ou não é um desafio, pois tudo pode virar um
departamento para bater carimbos de conciliação.
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Evolução
jurídica
Nem
toda evolução é uniforme: enquanto há
órgãos judiciais praticamente sem papel, tudo
virtual e informatizado. Este tipo de procedimento –
uma evolução - não atende a determinados
servidores, que não teriam como bater carimbos se acabasse
o papel. Então alguns estão inovando à
sua moda, por exemplo: em vez de juntar folhas e bater carimbos,
vão mudar tudo. Agora, vão bater carimbos primeiro
e depois juntar as folhas, mas primeiro querem uma gratificação
para justificar essa desgastante mudança. Comente aqui
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| conheça
o
SINAJUR
Sistema
Nacional de Assistência Jurídica
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O
SINAJUR (Sistema Nacional
de Assistência Jurídica) é uma proposta
de modelo democrático baseado na livre escolha pelo cidadão
carente de qual advogado, público ou privado, o irá
representar judicialmente ou emitir consulta jurídica,
ficando assegurado o direito de escolha e o princípio
da confiança no causídico; de atendimento jurídico
baseado na livre escolha do cidadão de quem o irá
representar.
Carente deve ter direito de escolher seu advogado de
confiança, seja público ou privado, sob pena de
grave violação dos direitos humanos e limitação
do próprio direito defesa e de liberdade.
É também um projeto social sem fins lucrativos.
Visa ampliar a oportunidade de trabalho para recém-formados
e do atendimento jurídico - envolvendo iniciativas privadas,
estatais e sociais englobando Municípios, Cooperativas
de Serviços Jurídicos, Sindicatos, ONGs, OSCIPs,
escritórios-modelo de faculdades, Defensorias, Advocacia
Pro Bono convênios com a OAB, Planos de Atendimento Jurídico
com pagamento mensal, Tribunais Arbitrais e Juizados de Conciliação
– e a divulgação de informação
jurídica através de meios de comunicação
para atingir coletivamente a população. |
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O
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| Enquete
da semana
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Contextualize-se
Uma modalidade que facilitaria o acesso ao advogado é
a implantação de um serviço básico
com pagamento mensal cujos valores girariam em torno de
R$ 20,00 para consultas; podendo o valor aumentar conforme
a quantidade de serviços. O modelo é inspirado
no modelo de saúde e daria direito a até
duas consultas por ano de no máximo 40 minutos
cada. |
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