DESARMAMENTO
- REFERENDO de 23 de outubro de 2005
CRÍTICAS
AO PROCESSO ESTATÍSTICO E AO SEU SIGNIFICADO
Por
Lewton Burity Verri (*)
O
desarmamento só funcionará quando os "espíritos
forem desarmados" e o Estado assumir sua responsabilidade
técnica e civil na Segurança Pública. E,
ainda, existem problemas nos dados estatísticos, de suporte
às afirmações favoráveis ao DESARME,
com relação a maior freqüência e a
causa das mortes entre jovens do sexo masculino, com inferências
incorretas - e a análise nos pareceu dirigida para facilitar
o SIM - Aprovação do Desarmamento, durante a votação
no dia 23/10/2005.
Existe o objetivo de REDUZIR A VIOLÊNCIA URBANA,
associada ao conceito de PROJETO DE PAZ:
1.
Controlar atividades associadas à proliferação
e ao uso indevido de armas de fogo;
2.
Conscientizar a população sobre os perigos das
armas;
3.
Controlar o contrabando de armas;
4.
Fiscalizar a produção, vendas, exportação
e importação de armas e munições;
5.
Controle de estoques, em depósitos e similares;
E
onde estão os objetivos da capacitação
da Administração da Segurança Pública?
E os que condicionariam as atividades das Polícias e
da Justiça brasileira em suas obrigações
e responsabilidades?
Um
estudo da Frente Parlamentar pelo Desarmamento concluiu que
o Brasil é o campeão mundial em homicídios
com armas de fogo, com 18 milhões de armas em circulação:
cerca de 50% são ilegais.
Outros
dados são citados:
1.
Jovens brasileiros (entre 15 e 24 anos) morrem 2 (duas) vezes
mais por armas de fogo do que por doenças e mortes naturais;
2.
Cerca de 30% das mortes entre jovens ocorrem por armas de fogo;
3.
Cerca de 30% das armas são capturadas dos homens de bem,
por bandidos;
4.
Quem reage a um assalto tem 180 (cento e oitenta) vezes mais
chances de morrer;
5.
Mortes por suicídio são 4 (quatro) vezes maiores
para quem tem armas de fogo em casa.
Os
"jovens de 15 a 24 anos" contemplados no estudo são
de fato, e em maioria absoluta, os bandidos e criminosos, a
quem o Estado omitiu assistência social, educacional e
cidadania; e que não possuem perspectivas de emprego
e de crescimento humano.
Como
conclusão podemos dizer que a Segurança por meio
de armas de fogo é uma ILUSÃO? Arma de fogo em
casa é insegurança para a família: pais,
parentes e filhos, nos acidentes com armas de fogo? A presença
da arma de fogo em casa é sinônimo de acidente,
na certa?
Pais
ou responsáveis devem ser punidos pela "omissão
de segurança" quando deixarem armas expostas ao
acesso de menores, que resultarem em acidentes - por que não
se faz uma lei para isso?
Para
100% (cem por cento) dos militares brasileiros, a presença
de arma de fogo em casa é uma realidade. Por que seus
jovens não têm envolvimento com as disfunções
da estatística da Frente Parlamentar pelo Desarmamento?
Será que existe uma conscientização maior
sobre os perigos das armas de fogo, nesse segmento social?
Existem
pais militares que deixam suas armas de fogo em "caixa
metálica com cadeado", semelhantes a caixas de ferramentas,
para eliminar o acesso de seus filhos às armas particulares
e as institucionais. Alguns, ainda, mostram a "operacionalidade
das armas" para minimizar curiosidades, em stands de tiro
- seus efeitos em "melancias, melões e jacas”
- no desmonte para lubrificação e manutenção.
Possuem alta capacidade técnica para manuseio de armas
de fogo, além de aptidão psicológica para
seu uso.
Situações
que culminaram em uso de armas de fogo, como forças motivadoras
do delito - uso indevido da arma de fogo:
1.
Momentos de estresse e descontrole emocional;
2.
Atritos e divergências pessoais entre parentes, vizinhos
e estranhos;
3.
Discussões e brigas no trânsito;
4.
Alcoolismo e badernas em boates e bares;
5.
Depressão e desilusões amorosas;
6.
Brincadeiras infantis ou juvenis com armas de fogo de "fácil
acesso";
7.
Violação de propriedades, depredações
e invasões;
8.
Reação a crimes e a atos de violência;
9.
Crimes e atos de violência;
10.
Conflitos do tráfico de drogas e lutas por fornecedores
e pontos de distribuição.
As
análises estatísticas classificaram esses motivos
e identificaram a freqüência de enquadramentos -
homens de bem e bandidos e criminosos?
Enquadramento
presumível pelo uso indevido da arma de fogo: (a) Homens
de bem - dos ítens 1 a 6 e (b) Bandidos ou criminosos
- dos ítens 1 a 5 e dos ítens 7 a 10.
"Se
armar a população não resolverá
o problema da Segurança, desarmá-la resolverá"?
Será
que uma população desarmada não será
uma população mais acuada ainda? A abordagem para
o crime terá suas chances maximizadas pela "ausência
do elemento surpresa", isto é, a certeza de que
o cidadão estará desarmado (e que poderia saber
usar a arma). Certos cidadãos acham que é melhor
uma arma em casa, ou na cintura, do que um policial ao
telefone – que nunca chega a tempo.
Se
há uma grande quantidade de armas "legalizadas"
em mãos de criminosos é porque ocorrem milhões
de abordagens criminosas para tomá-las. O homem
de bem não entrega sua arma de fogo a seu bel-prazer
para criminosos.
Cerca
de 3,5% dos brasileiros têm arma em casa e cerca de 64%
da população que participou do Referendo votou
NÃO, isto é, pela manutenção do
direito de possuir armas de fogo e pela Legítima Defesa.
Deficiências
Policiais e da Justiça Brasileiras:
1.
Mais de 90% (noventa por cento) dos crimes com armas de fogo
não são resolvidos;
2.
Em conseqüência, os criminosos ficam soltos a infernizar
a vida da população;
3.
Ineficiência nas diligências e na coleta de dados
e informações para caracterização
dos crimes e enquadramentos e na composição dos
processos;
4.
Parte dos crimes é cometida por policiais corruptos;
5.
Conivência de policiais com o crime organizado;
6.
Incapacidade administrativa das autoridades públicas
com responsabilidade pela segurança da comunidade e da
cidade;
7.
Coação e opressão por exibição
de poder e força através de armas de fogo;
8.
Precária preparação técnica e emocional
e treinamento inadequado para o uso de armas de fogo;
9.
Corregedoria ineficiente, ou corporativista, na repressão
ao crime
policial;
10.
Sistema prisional que provoca a exacerbação da
violência e do crime;
11.
Falta de equipamentos, sistemas de apoio e armas mais intimidadoras
para a repressão ao crime;
12.
Ausência de leis ou estatutos mais rigorosos para menores
delituosos;
13.
Precários programas de proteção a testemunhas,
que na verdade as deixam expostas e "rastreáveis"
para vinganças.
Essas
considerações colocam em xeque-mate as estatísticas
e suas respectivas análises feitas até o momento.
E
ao nosso entendimento, o segundo Referendo deveria ser sobre
uma nova ORDEM E ORGANIZAÇÃO para as Polícias
e a Justiça Brasileiras.E o PRIMEIRO REFERENDO deveria
ser o de uma NOVA ORDEM E ORGANIZAÇÃO POLÍTICA
NACIONAL.
No
Brasil, precisamos acabar com a impunidade e colocar os criminosos
realmente na cadeia, mas que seja num sistema prisional que
os ressocialize.
(*) Lewton Burity Verri - Diretor Científico
do IEAQ - Instituto de Estudos Avançados da Qualidade;
Escritor e Professor de Administração.
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